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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Super Retrô- A Vida de um Otaku nos anos 90- PARTE II

Um dos maiores motivos de sofrimento para uma criatura otaku vivente nos anos 90 era o fator comunicação. No começo da década éramos a cópia do Japão feudal versão terceiro mundo. A nossa Era Meiji estava apenas no começo, e como dizia Fernando Collor, não tínhamos carro- andávamos de carroça. O auge do luxo era carro com vidro elétrico, enquanto na europa e EUA o negócio já era câmbio automático há muito tempo.

XT com disquete de 5'1/2!
Se hoje em dia vibramos com o avanço tecnológico, na década de 90 era tudo primitivo, e sonhávamos com dias melhores. Esqueça as redes sociais, youtube e google. Isso não existia. Internet era um luxo, hava vista que computadores não faziam parte da família. Gentein, até o final dos anos 80, o negócio era computador XT, de telinha verde, pesando trocentos quilos e que só se encontravam em empresas e instituições de ensino. Lembro que a primeira vez na vida que usei um computador foi em 1988... O negócio era ultra mega retrô e não servia pra nada (pelo menos pra mim era a coisa mais sem noção que já tinha visto). 

E a internet? Só em meados da década de 90 é que os computadores começaram a se firmar como um objeto acessível às pessoas "normais", não sendo visto somente como uma ferramenta de trabalho para empresas. A internet vinha de carona, abrindo as portas para o céu e o inferno ao mesmo tempo. Inferno porque a conexão era discada!(minha úlcera pulsa só em lembrar do barulhinho do modem... E quando dava ocupado?) 
O pesadelo de qualquer pai de família começava quando alguém ia usar a internet... As contas de telefone vinham altíssimas, porque se pagava o uso da internet ocupando a linha telefônica- o acesso era calculado por pulsos, e liberado só depois da meia noite. Aos finais de semana era mais barato, mas quem conseguia se conectar com tanta gente tendo a mesma ideia feliz de acessar a internet na mesma hora? E a qualidade? Ah ah! Aquilo era um horror... Uma conexão que caía a todo instante, numa velocidade medíocre. Acha que fazer download de mp3 era essa alegria que é hoje? Ahhhhh.... Uma musiquinha de 4 mb era o equivalente a uns 4gb de hoje. Demorava uma vida inteira! Pra se fazer uma coleção básica de músicas no computador era um sofrimento... Nunca demorava menos de 10 minutos pra baixar uma mísera faixa em qualidade decente, ISSO QUANDO A  CONEXÃO NÃO CAÍA!!!! Pensando nesses infortúnios dos pobres otakus havia inúmeras compressões de um mesmo arquivo, passando de uma música de qualidade sofrível a algo decente, mas que pudesse ser baixado em tempo hábil.

Fazer coleção  de tranqueiras de anime no HD? Praticamente impossível. Os discos tinham capacidades míseras, e NÃO HAVIA GRAVADORA DE DVD. No máximo a gravadora de CD... Quer dizer, na década de 90, não existia a maravilha "made in China".  Isso não era acessível no Brasil. Era como o Blu-Ray a uns anos atrás. Era caro, mitológico, distante e portanto sumariamente aniquilado. DVD... Quem precisava de DVD quando o negócio era no disquete! 

Aliás, lembrei de uma coisa agora...  Houve um certo período em que as gravadoras de DVD ainda eram caras e a gente se virava só com a gravadora de CD... O pen drive começou a surgir no mercado, ainda era um negócio "meio estranho." Dizia-se que os drives de disquete seriam aposentados, e em breve os computadores não seriam mais fabricados com esse dispositivo. Entrei numa briga ferrenha, dizendo que isso era impossível. 

"Não é todo mundo que tem gravadora de CD! Como eu faço pra copiar um arquivo de outro computador que não tivé disquete?!  E se tivé gravadora? Um arquivo pequeno vai ocupar um CD todo?" ps.: nem sonhava em conhecer um CD-RW...
 
"E esse negócio de pen drive?Isso vai substituir disquete? NUNCA! "

Em resumo- tudo o que a gente fala hoje vira EPIC DIALOGUE FAIL num futuro bem próximo quando o assunto é tecnologia.


Voltando...
Sem DVD para nos salvar o negócio era contar com o bom e velho disquete, compactando os arquivos igual sardinha em lata.

Tudo zipado! Espera... Zipado?Ah ah... Não existia WNZIP... O negócio se chamava ARJ, e rodava no DOS... 
Nossa senhora dos otakus aflitos! 99,9% da molecada hoje não sabe usar DOS... Nem vou falar aqui do Windows 3.1 né... Abafa o caso!

Muderrrrnoooo!
Bom, já deu pra ter uma noção do nível da dificuldade em acessar a internet. Preço alto e conexão lenta tornavam praticamente impossível ter uma coleção de tranqueiras de anime como as que temos hoje. No máximo imagens e dados pequenos. Tudo coletado naquele que era o maior site de buscas da época: "CADÊ?" 




Os otakus do Brasil varonil sabiam da existência dos animes, mas para chegar à fonte era preciso andar bastante...  Vieram então os primeiros fansubbers, que supriam a necessidade de assistir novos animes, coisas que não viriam ao Brasil. Todo mundo queria saber o que rolava no Japão, mas era inviável fazer download de séries pela net. A salvação viria dos distros de anime, que VENDIAM FITAS VHS através de catálogos enormes e mais desejados que água no deserto.

FITAS VHS? 

Sim, caro otaku! Pra você que não viveu nessa fase, não tinha DVD! O mais próximo era o LD- Laser Disc. Um CD gigante, do tamanho de um disco de vinil. Aquilo era a melhor qualidade, superior ao que víamos nos videocassetes. Mas não era popular, então só as classes mais abastadas e phynas tinham um troço desses. Relembrando que em uma parte da década de 90 não se via os produtos importados como a coisa mais natural do mundo. Carro importado? Coisa de gente rica. CD player? Nussa! Só as criaturas que viajavam ao exterior pra trazer uma muamba dessa catiguria!

O que o otaku tinha em casa era o bom e velho videocassete e pelo menos uma fita daquele que foi o maior distro do país- o BAC-Brasil Anime Clube



Ter uma fita do BAC em casa era item obrigatório de todo otaku da época. Demorava cerca de dois meses entre o pedido e o recebimento, mas era "A QUALIDADE", era "O ANIME". Como um filho desejado, planejado e adorado. Todo mundo tinha uma pendência de fitinha no BAC, e a alegria era geral quando chegavam em casa. Até hoje assisto minhas fitinhas, depois de ressuscitar meu bom e velho videocassete!

Ladies and gentlemen, uma fita VHS!
Pensam que o BAC tem tantos anos assim? Minha primeira fita foi de 1999. 

Ah tá... Tem gente que acha que 11 anos são uma vida inteira né... I´m getting old.

Mas enfim... o BAC fez a alegria de 10 entre 10 otakus. Os seres superiores e supremos que tinham acesso a mídias que bombavam no Japão eram respeitados e idolatrados por nós que não tínhamos nem condição de pagar uma conta telefônica astronômica. Tais seres criaram grupos de exibição de animes e venda de fitas VHS. E claro, os amigos dos seres abastados faziam cópias do material original e espalhavam para os mais chegados. Temos aqui o método mais primitivo de disseminação de material otaku pelo Brasil varonil.

Mesmo a gente às vezes enfartando por causa da demora do BAC e outros distros, era a coisa mais legal do mundo. Era sofrido, mas era uma alegria inigualável. 

Já no final dos anos 90 a coisa melhorou... A conexão foi ficando mais decente- porém ainda cara, o que limitava muito o acesso. Ainda reinavam os distros como o BAC, e sites de compra de CDs de anime e pop/rock bombavam. 

Redes sociais? Nada de orkut, twitter ou facebook. O negócio era o ICQ. Todos tinham um UIN, um número que servia como seu identificador. Era um primórdio do messenger. Todo mundo tinha um troço daqueles! E o mIRC? Incrível como esse reina até hoje né? Desde aqueles tempos da caverna era indispensável saber pelo menos uma meia dúzia de comandos!

Com a melhoria da conexão de internet tudo ficou lindo e maravilhoso. Hoje mesmo assisti ao show da Utada Hikaru ao vivo via Ustream e foi a coisa mais incrível. Nem preciso dizer as maravilhas para a humanidade que a net de hoje oferece, mas pra quem viveu na fase do carvão, passar pela revolução industrial e ter história pra contar é indescritível. Quem em 1990 e lá vai iria imaginar tantas facilidades? Tudo era um sonho, era algo de se rir. Poder ter uma conexão que ficasse online 24 horas por dia!!! Baixar uma música em menos de 5 minutos!!!! Ter muitos animes em casa!!!! 

Ah... Nostálgico... Claro que muitas histórias surgem dos anos 90, mas acredito que esses dois pontos são o divisor de águas para os otakus brasileiros- a consolidação da animação japonesa, trazida pela Rede Manchete e a popularização da informática. Como todo processo evolutivo, houve muitos percalços, muitos anseios e esperanças por  avanços tecnológicos. Esses tais avanços chegaram. No começo vieram de mansinho, e hoje eu nem sei mais exatamente onde vamos parar. Ainda me lembro da emoção de ter finalmente me livrado da internet discada e ter me tornado praticamente uma mãe-de-santa virtual, baixando tudo que posso no menor tempo possível. Os primeiros amigos virtuais, a primeira convenção de anime... Ai ai... Recordar é viver... Isso me lembra que ainda tenho que passar toda a minha coleção de fitas do Bac pra DVD... Mas antes disso, acho que vou tirar um tempinho pra assistir alguma coisa no meu videocassete...

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Super Retrô- A Vida de um Otaku nos anos 90- PARTE I

Esses dias estava me lembrando de quando comecei a assistir anime... Foi numa daquelas conversas "gente, quanta coisa mudou nos últimos anos!" Sim... É tão surpreendente que quando me lembro das coisas que vivi, parece até mentira...

Se você começou a assistir anime a uns 2 ou 3 anos atrás, não é muita coisa. Mas para mim, com quase 15 anos na estrada otaku, haja história! Contando hoje, certas coisas são absurdamente antiquadas e até engraçadas, mas pra quem viveu a "minha época" de descoberta anime, é um momento nostalgia...
Vamos lá! Pra quem não viveu essa fase, olha o que um otaku brasileiro já passou nessa vida...


Nostálgico ao cubo

Alguns animes já haviam aparecido esporadicamente no Brasil, mas a tsunami  veio com tudo na extinta TV Manchete- hoje Rede TV!. 
O ano era 1996, e um anime apareceu para revolucionar- Saint Seiya, ou melhor- Cavaleiros do Zodíaco. 
OMG, eu me lembro como se fosse hoje !(diálogo de vó detected). - Aquilo era algo fora dos padrões em animação "para crianças". Luta com sangue?Porradaria comendo solta?Uma animação com qualidade superior? - Algo estava errado. E fiquei fascinada com aquilo. Lembro que estava sapeando pelos canais quando  vejo uns personagens de olhos enormes, extremamente bem desenhados, lutando de verdade e... Gentein, a cada soco, 234 litros de sangue. Fiquei louca para assistir aquilo todos os dias! Uma história com sequencia, nada daquelas coisas tolinhas de animação americana... Ohhhhhh.....

Com Cavaleiros do Zodíaco minha popularidade no colégio foi às alturas. Sim! Eu era a única mocinha a gostar de um desenho de pancadaria... Na hora do intervalo eu era praticamente a Deusa Athena entre os cavaleiros de bronze. Aquele bando de moleques e eu discutíamos sobre os episódios e contávamos os capítulos anteriores com A RIQUEZA de detalhes- diga-se os meninos se espancando e eu só olhando, claro. Afinal Deusa Athena é phyna e não parte pra porrada (graças a deus.)
Rayearth
Mal sabia eu que anime era uma coisa viciante e aí pronto... O que a Manchete mandasse a gente via. E todo mundo sabe que Cavaleiros foi um sucesso retumbante. De repente todas as crianças e adolescentes voltaram seus olhos para a animação japonesa, e um admirável mundo novo se abria para os fãs. E as emissoras de tv caíram matando, pra nossa alegria. Depois da Manchete o tio Silvio Santos trouxe alguns animes como Rayearth para o SBT. Tudo bem que era uma versão dublada e todos os nomes foram trocados... Que o SBT mudava de horário mais que qualquer coisa... E daí? Era anime. Era diferente demais pra perder.

Mas quem investiu mais pesado mesmo foi a Manchete, a nossa Animax dos anos 90 (Animax antiga né, porque hoje... )





Depois de Cavaleiros do Zodíaco veio Yoroiden Samurai Troopers, ou Samurai Warriors na versão dublada. Era a era dos heróis de armadura, e tudo que fosse minimamente parecido com Saint Seiya deveria ser explorado até os ossos. 


Samurai Troopers é, para mim, o melhor anime da era de armaduras. Não repetiu o mesmo sucesso de Cavaleiros por não ter litros de sangue jorrando. Na verdade, as semelhanças são somente no fato de usarem armaduras. SÓ. Ok, os "líderes" do grupo usam vermelho e existem particularidades a serem notadas em certas atitudes do grupo. Mas no resto... Juro que a  história de Samurai Troopers  merece um post à parte, só para desmistificar a comparação errônea entre eles e Cavaleiros! Mas tudo bem, isso fica pra outra hora... 

Que mais a manchete trouxe? Sailor Moon!
 
 Eu confesso que achava meio tosquinho, mas e daí? Era diferente do que eu já tinha visto até então... As lutas eram o fim da picada, mas tinha uma história engraçada e com uma trama envolvente... Essa série é o clássico dos clássicos, a vanguarda da era dos grupos femininos com roupinhas super cute lutando contra o mal!






Estamos ainda na era das armaduras, e a bola da vez era "Shurato". Armaduras enoooormes, os caras pareciam integrantes de um carro alegórico de uma escola de samba carioca. O ano era 1996, e apesar de copiar a fórmula de sucesso "lutas+armaduras" de Cavaleiros, apresentava uma história muito interessante, baseada nas mitologias budista e  hinduísta. 


Chega de armaduras! Em 1997 veio o anime revolucionário, cuja dublagem talvez seja a única elogiada entre os otakus do Brasil varonil: YU YU HAKUSHO. Nem vou falar demais sobre ele, porque reina absoluto como um dos melhores animes de todos os tempos. E sem sombra de dúvida, a melhor dublagem feita até hoje.


Sem mais armaduras, agora os mechas ocupavam espaço. Mudando o foco da programação, a Manchete apresentava o programa "US MANGÁ", trazendo OVAs da distribuidora americana de mesmo nome.  Detonator Orgun e Fatal Fury (a exceção da regra mecha-sci-fi) eram alguns dos nomes que pudemos assistir. Ali sim os agora viciados em anime puderam ver o que era uma qualidade superior em animação.  Enquanto as séries de tv costumam ter um orçamento menor, os OVAs e movies são mais bem feitos, e foi ali que eu entendi que nunca mais deixaria de ver essa coisa tão interessante chamada "anime"...

Depois de 1997 a Rede Manchete estava com dívidas até o pescoço, e fechou as portas, levando consigo o período áureo dos animes na tv aberta.  Mas abriu as portas de um mundo novo para milhares de jovens brasileiros, mostrando o caminho de um mundo novo e inesquecível. A Manchete deixa saudades, lembranças  e história pra contar!


 

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Se Maomé não vai à montanha...

A montanha Utada vai aos Maomés pelo mundo!


Calma que eu explico! 

Utada-sama vai fazer uma pausa na carreira depois de sua turnê  "Wild Life". Seu último show será em Yokohama nos dias 8 e 9 de Dezembro. Como disse aqui, Hikaru Utada está vivendo uma fase "quero ser phyna, humana e digna". Desafios e tormentos existenciais povoam sua mente... Afinal de contas, agradar todo mundo é uma dureza!! E aí? Como ser super hiper mega diva e agradar seus fãs de todo o mundo mundial? 

Simples! É só fazer um show e transmití-lo ao vivo, via web para todo mundo que quiser ver !

Alegria total e absoluta para os fãs de Hikaru Utada! Várias emissoras de tv japonesas vão transmitir ao vivo o show do dia 8 e... Ora, por acaso você vai estar no Japão para assistir? Se a resposta for sim, tenha a minha inveja forever, pessoa! ah ah! 

Caso contrário, vamos assistir no pc, com direito a possíveis interrupções e sinais tremelicantes né!!!!

SO WHAT???? Eu assisto nem que tenha que adivinhar o que é a Utada Hikaru entre milhares de pixels na minha telinha! ^^ 

Chega de enrolação e vamos ao endereço né? O site que vai fazer o milagre acontecer é  o  Ustream, nos seguintes endereços: http://www.ustream.tv/channel/wl1 (700kbps) e http://www.ustream.tv/channel/wl2 (300kbps)

Dia e Horário!!!! 8 de Dezembro, 7 da noite (horário japonês). "Traduzindo" para o fuso horário brasileiro, 7 da manhã! Acordem mais cedo (ou nem durmam!). Ver a Hikaru Utada ao vivo do outro lado do planeta, não tem preço!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Quando a vida imita a arte... E TUDO DÁ ERRADO!

(ou quase tudo.)

Gentein, esse post não é necessariamente sobre anime ou mangá, mas às vezes parece um episódio com algum personagem miseravelmente azarado. Seria comédia se não fosse minha própria vida.

Era pra ser um fim de semana perfeito: iria viajar para fazer uma prova de concurso público. Na folga das provas, uma passadinha básica num shopping, um barzinho... Tudo seria lindo.
Seria, mas estamos falando da minha vida, e ela tende a se tornar complicada...

Ao chegar no hotel, surpresa "feliz" número 1 - a internet não está funcionando. "LEGAL..." pensei. " Sem postar no blog e fuçar meus e-mails... Mas ok! Eu sobrevivo por dois dias, por que não?"
supresa "feliz" número 2 - passei os últimos dois meses estudando o dia inteiro, avançando até as madrugadas (com pausas para anime, claroooo) e... Não fiz a pontuação necessária pra passar. Isso é o momento Love Hina- o pobre coitado protagonista sonha em entrar pra Toudai e nunca nunca nunca consegue. Essa é a minha história atual. Eu preciso passar em um concurso, arrumar um emprego eeeee.... NADA.  Mesmo sabendo do caráter "lotérico" para se passar em um concurso eu sonhei né... Estudei... Enfim, o nível de frustração está estratosférico até agora.
 
surpresa "feliz" núnero 3- meu carro estava numa vaga de garagem microscópica... Um FDP ainda fez o favor de colocar o carro totalmente atravessado, já reduzindo meu espaço de manobra a um milionésimo de milímetro. RESULTADOOOOOO!!!!!!! Raspei a porta na pilastra!  EBAAAAAA!!!!! Quase morri, enfartei 345 vezes... Sorte é que foi superficial, estragou um pouco uma parte plástica do bichinho. Ainda tremendo e quase chorando tive que manobrar de novo e tirar o pobre do lugar. DESSA VEZ SEM ARRANHAR!!!!

surpresa "feliz" número 4- como não conhecia a cidade e nem as rodovias direito- o que me levou até lá foi o google earth- ME PERDI NA ESTRADA!!! Sim!!!! Andei mais de 70 km na direção errada!!!!! E claro, isso atrasou minha volta horroresssssss! Não estava com pressa, mas WTF? Ninguém quer ficar andando a esmo numa estrada praticamente deserta e desconhecida.

surpresa "feliz" número 5 - meodeos, você acabou morrendo e está blogando do céu? - cruzes! Aí também não! A viagem foi super tranquila, mas.................... Na hora de colocar o carro na garagem, um PARAFUSO do tamanho da Torre de Tóquio enfia no meu pneu!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! MUKYAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! A sorte é que não furou, amanhã cedo eu vou pedir proteção a Kami-sama para chegar ao borracheiro e remendar o troço.

Ai gente, é isso. Parece um episódio de humor né? Humor sarcástico, mas é isso. Então, a arte imita a vida, a vida imita a arte e... Bom, daqui a pouco eu vou olhar no espelho e vou ver uma gota gigante na minha cabeça...


sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

"Por que eu gosto da Ayumi Hamasaki..."


Quando comecei a ouvir música japonesa (em meados da década de 90), os nomes da vez no cenário j-pop eram Ayumi Hamasaki e Amuro Namie. As duas brigavam ferozmente pelo título de "rainha do j-pop". Amuro liderava, mas Ayu sempre estava ali, disputando a liderança com unhas e dentes.

E eu não gostava de nenhuma das duas. Achava que Ayu cantava como uma galinha histérica (embora não saiba como uma deve cantar). Já até mencionei isso em outro post. Mas os anos foram passando, comecei a gostar de algumas músicas e da própria postura independente que ela começava a esboçar. 

Até o dia em que ela anunciou publicamente que perdera a audição em um dos ouvidos. Eu conheço de perto o problema, sei dos impactos para uma pessoa "comum". Imagino o que deve ter sido para ela, que depende da voz e da audição como instrumentos diretos para trabalhar. Na época assisti um documentário no youtube que mostrava que ela vinha sentindo dificuldades para atingir certas notas enquanto cantava ao vivo.  E eu pensei algumas vezes "ela não dá conta de cantar ao vivo não? BAD WOMAN!" . Em um dos ensaios ela não conseguiu controlar a falta de equilíbrio causada pela perda auditiva e caiu, machucando o tornozelo. Isso às vesperas de um show, em que a recomendação médica era imobilização do tornozelo e nada de dançar pra lá e pra cá. O que Ayu fez? 

Filho, mete morfina aí e me deixa dopadona pra dançar o show todo, depois a gente vê!

E aqueles trocentos mil fãs que foram vê-la nem perceberam que ela sequer poderia estar de pé. E ali eu percebi a devoção que essa mulher tem quando se trata da carreira e dos fãs.

A perda auditiva de Ayu foi causada por exposição excessiva ao ruído. E mesmo assim ela disse que continuaria a cantar. Reaprenderia a ouvir e cantar de maneira adequada, e seguiria sua carreira mesmo que isso causasse a perda da audição de seu outro ouvido.

Resumindo: "se alguem quer matar-me de amor, que me mate no Estácio!" - Ayu é guerreira, tem uma vontade e dedicação que poucas vezes percebi. Ela é como a Utada Hikaru- um personagem de mangá shonen. 

Tirando o lado de guerreira, temos o lado empresária! Ela ousou criticar sua gravadora, a Avex, gigante nipônica... O ritmo de lançamento de álbuns e as ordens excessivas fizeram a musa diva subir nas tamancas! E olha que estamos falando de Japão, onde a empresa é sua mestra e dona, e questioná-la é quase um ato tabuzento. Depois dessa fase mais turbulenta, a tempestade passou e hoje vemos que Ayu comanda com mão de ferro sua carreira. Já viram um making-of de um Pv dela? Ela palpiteia em tudo. Ela quer saber da coreografia, do figurino, fotografia, câmeras... Em seus álbuns, ela compõe quase todas as músicas, participa de cada milímetro do que é feito. Não é só um rostinho bonito que ganha tudo pronto. E seus dotes de produtora estão se espalhando por carreiras alheias!


Naoya Urata,  da banda AAA resolveu partir em carreira solo... Adivinha quem deu o toque especial no seu single de estreia? Nossa megadiva Ayumi Hamasaki.

Ah tá... Ela faz um duetinho básico com ele?
Não é apenas-somente-isso! Ayu PRODUZIU o PV, compôs a música e AINDA fez o encarte do CD!

Pra mim Ayu é rainha do j-pop. Pode até não vender como antes, mas... who cares?  Diva é quem tem atitude, não só vendagens e nome na lista oricon. E isso ela sempre tem! Mas a mulé é ou não é poderozézima?

Fica aí um teaser do PV e a música inteira, que já está nas rádios e tem cheirinho de nome no Oricon...








quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Promessas Otaku para 2011...


Todo mundo (ou quase) faz promessas para um ano que se inicia. Emagrecer, estudar mais, ser uma pessoa melhor... 

Isso no "mundo real", né? E vamos combinar, eu não faço mais essas promessas não. Quer mudar, faça agora, espere virar o ano não!  Seja uma pessoa bacana o ano todo, estude sempre pra não desesperar no final do ano (ou do semestre), trabalhe, economize dinheiro pra não ficar no vermelho... Nossa, virou letra do Radiohead (Fitter Happier)!

Tá, mas  minha promessa para ser uma otaku melhor fica pra 2011! Prometo, juro solenemente que em 2011, na primeira temporada (INVERNO), assistirei ao primeiro episódio de TODOS os animes! Sim! Tê-ó- dê-ó-S! Aí sim serei gabaritada o bastante pra falar mal ou bem de um monte de séries, e não ficar com cara de paisagem por não ter assistido aquele anime famoso que todo mundo vê (menos eu). E pra começar, assisti o trailer de Kore wa Zombie desu ka? - Que estreia dia 10 de Janeiro:



Todos serão assistidos e resenhados aqui nesse humilde blog do gato otaku. E tenho dito! Inclusive vou resistir a minh chatice habitual de criticar características moe e fan service gratuito e explícito. Lembrando agora, eu assisti High School of  The Dead! Quer mais fanservice que aquilo? Mesmo assim gostei muito do anime e segurei minha vontade de deixar de assisti-lo quando peitos pareciam desafiar as leis da gravidade... Af! Muito bem! Que 2011 venha com muitos animes e doramas interessantes!


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Alegria de Otaku Plus Advanced - Shinrei Tantei Yakumo

Amo esse cara de zóio duplo!

-Tia, precisa ter assistido Yakumo pra entender esse post?

-Não, criança, se joga!


-Mas e seu assistir Yakumo e ainda não tiver baixado o ep. 9?


-Então sai porque tem spoiler, bebé-chan!




Todo fã de anime elege aqueles que ficam como favoritos. Minha lista é bem grandinha, já que comecei a assistir animes há quase 15 anos atrás. (velha detected!) E com certeza Yakumo vai ficar na minha lista, mesmo com um defeitinho ou outro...

Gostaria de eleger Shinrei Tantei Yakumo como o melhor anime de 2010, mas pra isso eu teria que pegar a lista toda né... E também vai uma questão de gosto pessoal, então não ouso fazer tal comparação. Na verdade, a primeira vista, 2010 foi um ano em que fiquei atraída por poucos animes:
- Sengoku Basara
- Kuroshitsuji
- Hakuouki
- Bakuman
- Kaichou wa Maid Sama!
- Shinrei Tantei Yakumo

Outros títulos eu comecei a assistir mas logo perdi o interesse. Mas tudo bem... As escolhas que fiz e assisti todos os episódios foram felizes. Sengoku Basara por exemplo foi uma grata surpresa. Uma adaptação de jogo de luta com história bacana? Só o Masamune-sama já valia o anime todo!

Tá, tá... Lá vou eu desviando do assunto- o episódio 9 de Shinrei Tantei Yakumo. Aquele que eu estava louca pra assistir, tendo taquicardia ao esperar uma versão decente pra baixar e asssitir suando mais que tampa de chaleira, tamanho o nervosismo em saber o que ia acontecer!

E ISSO É O QUE EU ESPERO DE UM ANIME. Que eu fique nervosa e ansiosa por um novo episódio. Que sinta o coração bater mais rápido, a tensão se espalhando, os olhos atentos a cada movimento, cada frase absorvida como se fosse algo vital. MEODEOS, isso é absolutamente otaku, mas é o que faz com que se ame ou odeie uma série. Tem que haver uma ligação quase pessoal entre o espectador e os personagens. Por um breve instante é legal esquecer que aquilo tudo é só um anime. A gente torce pra tudo dar certo, chora quando algo trágico acontece e sorri de alívio se o final for do jeito que se espera.

E ISSO É O QUE EU ESPERO DE UM ANIME. Mas que nem sempre acontece. MAS QUANDO ACONTECE...

Esse era um episódio em que muitas coisas importantes seriam ditas, um clímax da série até então. E todo o suspense foi trabalhado para chegar a essa parte tão importante. A clássica cena da porta que se abre para a pessoa ou coisa tão almejada estava aqui também. Cliché, mas até a personagem chegar aqui eu morri ao pensar no que poderia acontecer com ela. Ponto para os roteiristas, que deixam a nossa imaginação maquinando mil coisas pra ainda assim conseguirem enganar a gente...


Uma imagem vale mais que mil palavras... O protagonista antipático e praticamente incapaz de se relacionar com as pessoas é salvo pela primeira pessoa que parece gostar dele de verdade. A nossa heroína a resgatar o príncipe carrancudo chega e já vai direto ao ponto. Esse toque significa muito mais que verificar se o pobre coitado está vivo depois de ser torturado e amarrado numa cadeira. É um toque de amor. SIMMMMM, Yakumo é o mangá shonen mais shoujo que eu já vi!

Essa é a cena que todo mundo quer ver em um anime. A revelação de algo importante. Sentimentos escondidos que naquele momento específico fluem. Naquele misto de desespero, tristeza e incertezas, as palavras saem numa enxurrada e a verdade é jogada. Palavras que você fica pensando em dizer se fosse aquela personagem, verdades que você diria. Coisas que a gente sufoca na "vida real", aquele momento importante que você acabou perdendo por pura burrice... Muitas vezes a gente não diz o que precisa na hora crucial. Por isso, ao menos aqui, essa lacuna é preenchida. 

"Você é sempre uma cabeça-de-vento"

Sim... Nossa heroína chora, grita para ele não morrer, tra lá lá... E essa é a frase de agradecimento. Além do clássico "é preciso mais que isso para me matar". SIMMMMM, Yakumo é o mangá shoujo mais shonen que eu já vi!
Adorei, porque afinal de contas, o red zóio aí age assim mesmo. É esperado sarcasmo em 99.9 % de suas frases, e pescar o 0,01% de simpatia e amor correspondido pela sua salvadora... Não tem preço!



Lágrimas... Nem precisa dizer mais nada. Aqui estão embutidos os pacotes "te amo, seu burro!" " quase me matou de preocupação" e "ainda bem que você está vivo, senão eu te matava!"



Nenhum anime está completo sem o vilão, o cara de meia idade... Aquele quarentão que nunca passou perto de uma barbearia pra aparar o cabelo... Aquele cara que usa um maldito sobretudo mesmo num calor desgraçado e uns óculos escuros mesmo na noite de apagão... Sempre tem uma criatura querendo atrapalhar as coisas.  Em Shinrei Tantei Yakumo, até então, o tiozão tosco com voz de Cid Moreira não passa de um cara invejoso que quer levar o filho para a escuridão. Que diabos é essa escuridão eu não sei. Zona boêmia?Zona rural sem energia elétrica? Ninguém sabe. Até o presente momento é uma criatura que quer infernizar a vida e uma nova chance de felicidade que o protagonista começa a experimentar.

Tudo bem. Nesse episódio com cara de último (mas ainda tem mais!), muito foi dito, verdades foram reveladas, despedidas aconteceram... Pra variar eu dei uma choradinha básica (mukya!) e fiquei satisfeitíssima.

E ISSO É O QUE EU ESPERO DE UM ANIME.